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Tarouca

Oficina sineira de Tarouca é monumento de interesse público

Foto - bejayarrabaldes.blogspot.com
Foto – bejayarrabaldes.blogspot.com

A oficina de fundição sineira que laborou durante 400 anos e foi descoberta em 2002 na freguesia de Granja Nova, no concelho de Tarouca, foi classificada como monumento de interesse público.
“Espero que esta classificação atraia a atenção para o tema da fundição sineira e para a pertinência de o investigar. Tem de ser feito um inventário dos exemplares históricos de sinos existentes, até porque eles quebram com o uso”, disse à agência Lusa Luís Sebastian, responsável pela descoberta das ruínas da oficina, que terá sido fundada no século XVI e abandonada em 1947.
Na portaria publicada na quinta-feira em Diário da República, que classifica a oficina como monumento de interesse público e estabelece a sua zona especial de proteção, é referido que “foi a primeira oficina sineira pré-moderna identificada e estudada em território nacional, constituindo assim um raro testemunho material de uma atividade de enorme complexidade e riqueza técnica e etnológica”.
“A oficina inclui um forno em excelente estado de conservação, considerado o último exemplar histórico de forno de revérbero em Portugal e um dos últimos a nível europeu”, acrescenta.
Luís Sebastian, que atualmente é diretor do Museu de Lamego, descobriu as ruínas da oficina de Granja Nova depois de ter encontrado um fosso de fundição de sinos nas escavações arqueológicas do Mosteiro de S. João de Tarouca.
Na altura, Luís Sebastian nem sabia que se tratava de um fosso de fundição de sinos, mas depois começou a investigar o tema da fundição sineira, com a ajuda dos colegas e recorrendo a bibliografia estrangeira, e visitou a fundição existente em Rio Tinto.
Durante a investigação, ficou a saber que até ao século XVI os fundidores eram itinerantes, mas nesta época ter-se-á instalado um fundidor espanhol na região, onde não faltavam clientes: os mosteiros de Santa Maria de Salzedas e de São João de Tarouca, a Sé de Lamego e muitas capelas.
“As fundições não faziam só sinos novos. Refundiam aqueles que se partiam”, explicou.
O próprio brasão de Granja Nova inclui a imagem de um sino, mas não havia informação sobre o local onde teria funcionado a fundição, até que Luís Sebastian encontrou uma casa com uma ruína no quintal.
“Cheguei à conclusão de que aquela ruína devia ser a fundição, pedi ao proprietário para entrar e tirar o lixo, e estava lá o forno intacto”, contou, acrescentando que, depois, voltou a tapá-lo com o mesmo lixo, de forma a preservá-lo.
O também coordenador do projeto “Vale do Varosa” frisou que se trata “de uma preciosidade que teve a sorte de chegar aos dias de hoje”, congratulando-se com esta classificação, “porque já não interessam apenas os grandes monumentos, reconhece-se que mesmo os pequenos podem ter um significado histórico”.
A portaria justifica que, “embora a oficina não detenha qualidades relevantes do ponto de vista arquitetónico ou artístico, possui inestimável interesse histórico e científico”.
Nesse âmbito, irá contribuir “para a compreensão das mentalidades, identidade e práticas sociais das comunidades ao longo dos séculos, bem como para o estudo do fabrico sineiro no geral, quer do ponto de vista técnico quer enquanto campo fecundo de significados mágicos e religiosos”, acrescenta o documento.
Luís Sebastian defendeu que, além de ter que se discutir se os sinos históricos – como o sino manuelino da Sé de Lamego – “ficam no sítio ou são retirados para não quebrarem com o uso”, tem de ser feita uma classificação imaterial dos seus toques.
“Antigamente, cada terra tinha o seu toque, mas os sinos estão todos a ser automatizados e isso vai acabar por se perder. Tem que ser feito um registo. E é agora ou nunca”, alertou.
Quanto ao futuro da oficina de fundição sineira, que está em terreno de particulares, considerou que deverá passar “por uma solução que junte várias entidades, com envolvimento do poder local”.

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