Avançar para o conteúdo principal

Penalva do Castelo

Secretário de Estado do Turismo inaugurou o Núcleo Museológico da Casa da Ínsua

Secretário de Estado de Turismo descerra a placa.jpg
O Secretário de Estado do Turismo, Adolfo Mesquita Nunes, inaugurou oficialmente ontem, em Penalva do Castelo, o Núcleo Museológico da Casa da Ínsua, um projecto de recuperação e requalificação de um importantíssimo acervo patrimonial classificado, servindo assim de repositório de uma memória centenária que urge preservar.
O projecto e o seu enquadramento foram apresentados por José Arimateia, administrador da Visabeira Turismo, e António Pimentel, director do Museu Nacional de Arte Antiga. Nas intervenções, destaque para as palavras do governante, que enalteceu o facto de este núcleo ser de iniciativa privada, sublinhando a excelência do projecto. Na mesma tónica as intervenções do presidente da edilidade de Penalva do Castelo, Leonídio Monteiro, e do presidente da Entidade Regional do Turismo do Centro, Pedro Machado, que destacaram a importância deste equipamento do ponto de vista local e como factor de promoção nacional e internacional.
Criado através de uma parceria entre o Grupo Visabeira e o Museu Nacional de Arte Antiga, o núcleo coloca a Casa da Ínsua num lugar de destaque na História Nacional, designadamente no que concerne às relações luso-brasileiras do século XVIII, por via da acção de Luís de Albuquerque de Mello Pereira e Cáceres, governador e capitão-general da capitania de Cuiabá e Mato Grosso, entre 1772 e 1788, e que, em pleno período barroco, mandou erigir esta casa senhorial.
Alvo de uma profunda requalificação por parte da Visabeira Turismo, a Casa da Ínsua retomou o seu esplendor, assumindo-se actualmente como uma unidade hoteleira de características únicas no país e um ponto de referência para toda a Região Centro. A intervenção no espaço nunca poderia estar, no entanto, dissociada da riquíssima história que lhe está associada, concebendo-se então um projecto onde a modernidade e o conforto também se faz pela preservação do antigo. Por isso, o Núcleo Museológico da Casa da Ínsua não só passa a fazer parte de uma das mais diversificadas e singulares ofertas turísticas, como contribui para o melhor conhecimento da própria História, uma vez que, para além dos espaços abertos ao público em geral, disponibiliza uma área reservada a investigadores ou simples interessados no conhecimento mais aprofundado de um património cultural de enorme relevância.
O núcleo museológico
Composto por unidades situadas em dependências da Casa da Ínsua e por outras no perímetro da propriedade envolvente, o núcleo museológico assenta em antigas áreas de produção rigorosamente recuperadas e em documentação única associada ao historial da casa e aos seus proprietários. A viagem pela história deste espaço singular começa num antigo armazém, onde estão três depósitos de cereais inteiramente reabilitados, que serve de Recepção aos visitantes. O acesso a esta área é feito através do edifício das Adegas, restaurado e devolvido à sua função primitiva.
O passo seguinte é a Sala da Família, situada no espaço onde funcionava o antigo lagar, albergando diversas áreas irmanadas pelo percurso de Luís de Albuquerque por Terras de Vera Cruz. Artefactos, escritos e mapas relativos à sua viagem e estadia no Brasil, assim como os inevitáveis reflexos desta na organização e na história da casa, ajudam-nos a reconstituir um importante trajecto político, social, cultural, científico e filosófico.
Já na Sala Braziliana, encontra-se a área exclusivamente reservada a mapas e ilustrações originais do século XVIII, agregando um acervo gráfico de inigualável importância cedido pela família Albuquerque, e na recuperação do qual o Museu Nacional de Arte Antiga desempenhou um papel decisivo. Os mapas ali reunidos permitem traçar um quadro alargado da organização geopolítica da altura, graças a um profuso e rigoroso trabalho topográfico que abrange rios, construções, fauna e vegetação. Aqui, o visitante terá acesso privilegiado a elementos representativos da paisagem tropical de há três séculos atrás, através de uma grande variedade de espécies animais e vegetais detalhadamente ilustradas. Uma parte desta sala é totalmente dedicada ao arquivo do espólio não exposto, devidamente acondicionado, tal a quantidade e diversidade de temáticas reunidas, estando disponível para estudos por parte de especialistas.
Na Serralharia, é possível visitar outra antiga área produtiva, com toda a maquinaria e instrumentos restituídos ao seu estado original, recapturando o ambiente de outros tempos até ao pormenor. A recuperação deste espaço permitiu ainda o retomar da sua actividade original, constituindo assim mais um motivo de atracção para os visitantes.
Finalmente, a Fábrica do Gelo, situada no perímetro da propriedade e onde é possível observar as técnicas utilizadas para a conservação e produção de gelo no século XVIII. Com efeito, há três séculos a Casa da Ínsua produzia tudo o que uma casa senhorial necessitava para uso próprio, incluindo serviços de serralharia e carpintaria, produção de electricidade, fabrico de pão e até de gelo.
Projecto singular
A abertura deste Núcleo Museológico coloca a Casa da Ínsua na vanguarda da inovação em termos de oferta turística em Portugal, assumindo ainda um papel de guardiã de um acervo histórico de importância capital para se entender a sua génese e a importância que manteve ao longo dos séculos. A colaboração entre o Grupo Visabeira e o Museu Nacional de Arte Antiga foi determinante para que um projecto desta dimensão pudesse avançar, conciliando interesses e conhecimento na preservação de uma parte significativa da memória colectiva regional e nacional. A ligação entre ambos estende-se igualmente ao projecto de recuperação da Capela de Nossa Senhora da Penha de França e à construção do novo Museu da Vista Alegre, ambos na zona envolvente à fábrica da Vista Alegre Atlantis, em Ílhavo.

Natália Teixeira

Comentários

Mensagens populares deste blogue

GALA ANIM’ARTE 2025 | REPORTAGEM Entrega dos Prémios Anim’Arte @2024

  REPORTAGEM (X) 5 – Prémio GICAV BD Paulo Monteiro é um autor de banda desenhada e ilustrador, nascido em Vila Nova de Gaia, que se formou em Letras e História de Arte pela Universidade de Lisboa e se radicou em Beja desde 1993. Desde 2005, dirige a Bedeteca de Beja e o seu festival internacional, tendo publicado três livros de BD e percorrido escolas e eventos na Europa, Angola e Brasil para promover a banda desenhada. Realiza conferências e exposições sobre banda desenhada e visita escolas em Portugal e no estrangeiro. Está envolvido na criação do Museu da Banda Desenhada em Beja, do qual tem sido o maior defensor e promotor. Prémio Especial GICAV BD PAULO MONTEIRO Beja

No dia 30 de junho de 2026, em Sessão Ordinária da Assembleia de Freguesia de Viseu foi aprovado, por unanimidade, o VOTO DE LOUVOR AO #GICAV, proposto por Lurdes Almeida, membro independente.

  No dia 30 de junho de 2026, em Sessão Ordinária da Assembleia de Freguesia de Viseu foi aprovado, por unanimidade, o VOTO DE LOUVOR AO #GICAV , proposto por Lurdes Almeida , membro independente.   VOTO DE LOUVOR AO GICAV "O GICAV – Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu tem prestado, ao longo de quase quatro décadas, um contributo de assinalável relevância para o desenvolvimento cultural, artístico, patrimonial e cívico da região de Viseu. Fundado em 5 de janeiro de 1989, o GICAV afirmou-se como uma das mais relevantes instituições do movimento associativo cultural da região, distinguindo-se pela visão, pela capacidade de intervenção, pela inovação e pela perseverança na promoção da cultura e das artes, sendo reconhecido como Pessoa Coletiva de Utilidade Pública. Ao longo da sua existência, o GICAV desenvolveu uma ação abrangente e multidisciplinar, promovendo iniciativas nas áreas da criação artística, das artes visuais, da literatura, do patrimó...

HISTÓRICO - "FIFA E JÉSSICA TORNAM-SE NAS PRIMEIRAS ATLETAS DA HISTÓRIA DO LUSITANO CONVOCADAS PARA UMA SELEÇÃO NACIONAL"

Filipa Bandeira "Fifa" e Jéssica Albino acabam de ser convocadas para representar a Seleção Nacional de Sub-16 de Futebol Feminino, para um estágio de preparação, que decorrerá entre 17 e 20 de Dezembro, em Quiaios, Figueira da Foz. Fifa e Jéssica tornam-se assim nas duas primeiras atletas, em toda a história do clube, que, ao serviço do Lusitano, integram uma convocatória de uma Seleção Nacional Com esta convocatória o Lusitano escreve mais uma bonita página da sua história. PARABÉNS MENINAS! JUNTOS SOMOS MAIS FORTES, JUNTOS SOMOS LUSITANO! Fotos: Sports and Girls | Maria Garcia