"Jardins Efémeros" na melhor cidade portuguesa para viver
19 Julho 2012 | 23:30
Nicolau do Vale Pais
Espaços verdes, comércio e serviços de qualidade, uma Câmara considerada funcional e eficaz pelos seus munícipes; um parque público monumental em pleno centro da cidade (logo ali, a partir do Rossio, o Parque Aquilino Ribeiro) e um Teatro Municipal liderado por um dos mais reputados coreógrafos europeus - Paulo Ribeiro.
Passeios extremosamente cuidados, vias rodoviárias exemplares, serviços de limpeza ascéticos, acesso a serviços de saúde únicos, um centro histórico precioso e estimado como em qualquer boa cidade europeia. Conhecem Viseu? É a melhor cidade portuguesa para se viver e uma das melhores da Europa, em décimo lugar, numa tabela de 124 cidades (números DECO). Elogio ao Executivo liderado por Fernando Ruas e momento para lembrar o exemplar autarca e líder visionário que foi o saudoso Eng. Engrácia Carrilho, cuja elegância na escala e visão do poder político ainda se sentem um pouco por toda a parte.
Num momento em que os mega-festivais eucaliptam um pouco por todo a parte a imagem de pluralidade e proximidade dos nossos centros urbanos (ou das praias para onde tentamos fugir deles), a iniciativa "Jardins Efémeros" - que decorre até domingo na Capital da Beira Alta - constitui-se não só numa oportunidade única de cruzamento entre o valioso património urbano e distintivo da cidade com o valor acrescentado da criatividade, como também numa reflexão construtiva da importância da escala e envolvimento transversais naquilo que uma comunidade pode fazer por si - uma noção muito cara a quem vive no interior do país. São 78 actividades por toda a cidade, entre exposições, instalações e mostras, concertos e espectáculos, além de oficinas e workshops. Tudo se passa a partir da "rua", da ideia de fruição do espaço público, de potenciação do urbanismo e carácter próprios da urbe. Este ano a edição tem um custo global de 40.000€, sendo financiada pela Câmara Municipal de Viseu, pela ADDLAP - Associação para o Desenvolvimento Dão Lafões e pela Associação Comercial do Distrito. A direcção do projecto alavancou com este apoio a criação de sinergias inteligentes que vale a pena enumerar, e que transformam o investimento público em residual: o apoio pela incontornável Visabeira, que oferece a estadia dos participantes no Hotel Palácio dos Melos em troca da animação dos seus jardins (mojitos e música seleccionada com vista para a muralha do séc. XV.) ; a cedência de material de montagem pela Custódio Santos Guerra S.A. (de Mangualde), empresa de construção e obras; o apoio da Cria Verde (jardins e plantas ornamentais) que faz dumping aos preços em troca de publicidade cirúrgica em momento de crise; o apoio logístico do Regimento de Infantaria XIV, na montagem em 48 horas de um pórtico com 7 metros de altura e 1740 heras, em plena Rua do Comércio, e ainda o indispensável apoio do Teatro Viriato como palco nobre de acolhimento e da ACERT- Associação Cultural e Recreativa de Tondela, no apoio técnico à montagem e acolhimento dessas iniciativas.
Pode saber mais em jardinsefemeros.pt. E deve seguir este fim de semana para Viseu, onde se continua a comer bem, sim, mas a viver mais e melhor. Eu sou do tempo do Dartacão ao domingo de manhã, e de não haver sequer uma sala em que se pudesse ver cinema em Viseu; quando em 1983 fui em excursão à praia em Espinho, mais de metade dos meus colegas de escola primária não tinham nunca visto o mar. Mas os "nuncas" são para ser vencidos, ou, citando Aquilino Ribeiro, magnífico viseense, "bem sei que todos nós tivemos à volta do berço essa farândola negro-salitrosa de bruxas, lobisomens, duendes, diabinhos e almas-penadas. Mas não nos custou pouco varrê-la dos nossos sonhos, depois de esvaziada do conceito de realidade".
Num momento em que os mega-festivais eucaliptam um pouco por todo a parte a imagem de pluralidade e proximidade dos nossos centros urbanos (ou das praias para onde tentamos fugir deles), a iniciativa "Jardins Efémeros" - que decorre até domingo na Capital da Beira Alta - constitui-se não só numa oportunidade única de cruzamento entre o valioso património urbano e distintivo da cidade com o valor acrescentado da criatividade, como também numa reflexão construtiva da importância da escala e envolvimento transversais naquilo que uma comunidade pode fazer por si - uma noção muito cara a quem vive no interior do país. São 78 actividades por toda a cidade, entre exposições, instalações e mostras, concertos e espectáculos, além de oficinas e workshops. Tudo se passa a partir da "rua", da ideia de fruição do espaço público, de potenciação do urbanismo e carácter próprios da urbe. Este ano a edição tem um custo global de 40.000€, sendo financiada pela Câmara Municipal de Viseu, pela ADDLAP - Associação para o Desenvolvimento Dão Lafões e pela Associação Comercial do Distrito. A direcção do projecto alavancou com este apoio a criação de sinergias inteligentes que vale a pena enumerar, e que transformam o investimento público em residual: o apoio pela incontornável Visabeira, que oferece a estadia dos participantes no Hotel Palácio dos Melos em troca da animação dos seus jardins (mojitos e música seleccionada com vista para a muralha do séc. XV.) ; a cedência de material de montagem pela Custódio Santos Guerra S.A. (de Mangualde), empresa de construção e obras; o apoio da Cria Verde (jardins e plantas ornamentais) que faz dumping aos preços em troca de publicidade cirúrgica em momento de crise; o apoio logístico do Regimento de Infantaria XIV, na montagem em 48 horas de um pórtico com 7 metros de altura e 1740 heras, em plena Rua do Comércio, e ainda o indispensável apoio do Teatro Viriato como palco nobre de acolhimento e da ACERT- Associação Cultural e Recreativa de Tondela, no apoio técnico à montagem e acolhimento dessas iniciativas.
Pode saber mais em jardinsefemeros.pt. E deve seguir este fim de semana para Viseu, onde se continua a comer bem, sim, mas a viver mais e melhor. Eu sou do tempo do Dartacão ao domingo de manhã, e de não haver sequer uma sala em que se pudesse ver cinema em Viseu; quando em 1983 fui em excursão à praia em Espinho, mais de metade dos meus colegas de escola primária não tinham nunca visto o mar. Mas os "nuncas" são para ser vencidos, ou, citando Aquilino Ribeiro, magnífico viseense, "bem sei que todos nós tivemos à volta do berço essa farândola negro-salitrosa de bruxas, lobisomens, duendes, diabinhos e almas-penadas. Mas não nos custou pouco varrê-la dos nossos sonhos, depois de esvaziada do conceito de realidade".





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