Antiga jogadora internacional por Portugal confessa estar a reviver o sonho que ela e as companheiras de equipa viveram há alguns anos. Ao Jornal do Centro, Francisca Martins recorda o momento de ouvir o hino nacional e confia que um dia Portugal terá uma jogadora eleita como melhor do mundo

Fotógrafo: DR
Portugal estará pela primeira vez no Mundial de futebol feminino. O feito alcançado esta quarta-feira está há muito tempo na cabeça e nos sonhos de muita gente. É o que garante Francisca Martins, antiga internacional por Portugal, ao Jornal do Centro. "É um dia histórico que concretiza o sonho de várias jogadoras", revela a antiga jogadora de futebol.
Francisca Martins representou por seis ocasiões a seleção portuguesa A. A estreia foi feita na Islândia e esse dia, assegura, nunca lhe sai da memória. "O momento de ouvir o hino nacional nunca ninguém esquece. Foi na Islândia. Lembro-me perfeitamente. Eu fazia a primeira internacionalização e a Carla Couto, jogadora de referência para toda a gente, fazia a centésima internacionalização. O momento de ouvir o hino é indescritível. Só quem lá está é que sente a força e o impacto daqueles minutos", garante.
Recuando uns anos e olhando para essa altura, quando vestiu a camisola da seleção das Quinas, Francisca Martins deixa claro que os sonhos de antes, são os de agora. "Não tínhamos era as mesmas condições", lamenta. A jogadora entende que "o concretizar do sonho hoje é o reviver do que gostaríamos de atingir, mas que sabíamos que, nessa altura, era muito difícil de concretizar".
A antiga internacional por Portugal refere que sempre houve a vontade de chegar mais longe e que todas as jogadoras que um dia sonharam com feitos elevados se sentem representadas pelas atuais atletas.
Ao Jornal do Centro, Francisca Martins sublinha que "muitas das atletas que jogam e todas as pessoas que trabalham em prol do futebol feminino" o fazem "por carolice e por paixão" e que, "só por um motivo de força maior como o que hoje foi alcançado é que continuam na luta".
No meio de vários nomes que, garante, podia lançar para a mesa, Francisca Martins destaca alguém que, diz, foi fundamental para o futebol feminino nunca deixar de ser praticado em Portugal: Mónica Jorge. "É alguém que está desde o início do futebol feminino. Uma mulher que nunca desistiu apesar das dificuldades que todas nós mulheres temos. Sempre acreditou que era possível, nunca desistiu de nós e hoje aí está a resposta de que era possível", justifica.
Defendendo um estreitar das diferenças entre futebol masculino e feminino, Francisca Martins descarta outra via que não a da igualdade. "Tem havido discussões sobre os contratos de trabalho para o futebol feminino e acho que é o momento ideal para se falar na equiparação entre o futebol masculino e feminino. Sabemos que se calhar ainda não é a altura para estarem em igualdade, mas também sabemos que se está a trabalhar para ser possível essa igualdade. Esse é o caminho", explica.
Assinalando que o desporto em geral e o futebol em particular se englobam no todo que é a sociedade portuguesa, a antiga jogadora frisa que "sabemos perfeitamente que as mulheres não têm as mesmas condições ou oportunidades que os homens".
"Dêem-lhes isso que os resultados aparecem. hoje é a prova disso", vinca. Para os clubes e autarquias, a antiga internacional por Portugal pede que as portas sejam cada vez mais abertas. "O trabalho passa pela igualdade de condições: campos para treinar, horários de treino", detalha
Concretizado o sonho de uma chegada a um mundial de futebol, Francisca Martins entende que, agora na maior prova de seleções, o momento é de "desfrutar".
"É a primeira vez que estamos inseridas numa competição neste patamar. Vamos trabalhar para lutar de igual para igual, mas ter também os pés assentes na terra e saber quem somos e o que somos para chegar um pouco mais alto. Não somos nenhuns coitadinhos, mas sabemos que estamos a crescer", esclarece.
E para o futuro, será que um dia veremos uma jogadora portuguesa ganhar a Bola de Ouro? Francisca Martins acredita que sim... mas não será para já. "Gostava muito de ver uma jogadora portuguesa ser Bola de Ouro. Se será possível enquanto eu for viva... acho muito difícil. Mas o caminho está a ser percorrido para que um dia isso aconteça. Porque não?", afirma.





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